“CORRE 7 PÔ!”

Há três anos atrás, eu era uma pessoa sedentária, adorava comer porcaria, encher a cara com cerveja e sofá, na obesidade grau dois, eu via as pessoas se exercitando, participando de maratonas e não entendia como ficar cansado após essas atividades físicas como corrida, academia poderia dar prazer às pessoas. Ficava pensando meio que “Caraca, que povo maluco, melhor mesmo é uma pizza e uma cervejinha no meu sofá!”. Mas tenho que admitir que sentia uma certa admiração pelas pessoas que trabalhavam as vezes por mais de doze horas por dia, e ainda tinham pique e disposição pra chegar em casa, calçar um par de tênis e correr pelo mundo! Ou irem pra academia, fazer o que fosse. Sempre tive vontade de gostar, me sentir apaixonada pela atividade física na vida adulta, pois enquanto criança, adolescente, sempre tive contato com esportes, mas essa fase ficou para trás, e com os anos vieram os maus hábitos, o sedentarismo, a comodidade, até que um dia eu dei um basta.

Levantei do sofá, joguei a cerveja no ralo da pia e guardei a pizza no freezer.

Foram 300 metros de muito sofrimento. com 100 quilos e um par de joelhos que não aguentavam meu peso, eu morri aí na minha primeira tentativa de correr. Passei a caminhar mais do que tentava correr, alternando entre caminhada e trotes leves, com muito esforço e aí as tentativas foram aumentando, corria 300 metros, andava 1km, corria 200 metros, caminhava mais 1,5k, até que um dia, consegui completar meu primeiro km trotando sem parar. GLÓRIA!

A partir daí e um pouco mais leve (95kg mais ou menos) já era praticante de Jiu-Jitsu e a perda de peso acabou sendo inevitável. Fui intensificando meus treinos de Jiu Jitsu e quando dava, puxava uma corridinha, de um pra 2k, de 2k pra 3 e confesso que sempre achei correr muito chato, mas, como já havia ganho um condicionamento muito bom por conta do Jiu Jitsu, correr pra mim acabou se tornando mais fácil com o decorrer do tempo, mas a corrida ficou aí, nos 3k de vez em nunca e eu acabava dando sempre mais importância pro Jiu Jitsu. Correr, uma vez a cada duas semanas e olha lá, “correr é chato”, mas eu sempre me sentia bem no dia seguinte.

Quase três anos depois, consegui correr 5km, e o Jiu-Jitsu não era mais prioridade na minha vida após perder 30 quilos, e os treinos foram diminuindo até que comecei a fazer aulas online em casa e me veio o estalo “já que só treino em casa agora, posso muito bem correr um ou dois dias por semana”, vou acelerar o processo de emagrecimento que ainda me falta e consigo ficar no gás. E lá fui eu, insistir mais uma vez.

Vieram as corridas de 5k, duas vezes por semana, tempo baixando, tentei pela primeira vez fazer 6km, confesso que o mais difícil foi controlar a ansiedade, porque sempre entro em uma corrida, pensando no final, parece que tem um bichinho na cabeça falando “vai logo, vai logo, termina logo essa corrida”, sempre. Aí empaquei nos 6km, dois meses correndo 6km e me sentia exaustíssima quando estava no km 5, mas pensava naquela história “quem corre 5 corre 6”, mas empacava sempre no 6.

Ontem eu estava me sentindo muito mal, gripe pegando, dor nas pernas, ‘naqueles dias’ que toda mulher odeia estar, resolvi fazer minha primeira corrida da semana, porque estava me sentindo péssima no começo da semana, não havia corrido ainda, e havia colocado na cabeça, que, correr pelo menos duas vezes na semana teria que ser uma obrigação para mim, agora que não precisava seguir horário de academia, não tinha ninguém pra me puxar pelo braço, parti então pra minha primeira corrida da semana! E lá fui eu, com dor, com gripe, com uma pia cheia de louça pra lavar em casa, pra um monte de coisas pra estudar, mas liguei o botãozinho da felicidade, calcei o tênis e fui correr.

1km, 2km, 3km e não aguentava mais, queria minha cama, queria jantar, queria meu marido perto, tava muito chato, mas olhei no relógio e vi os 3,3k marcando, pô, metade do caminho pros 6k, ai respirei fundo e continuei, vieram os 4k, 4,5k quando mal percebi, o relógio já estava marcando 6,0k e foi aí que eu fiquei brava comigo mesma: “CORRE 7 PÔ!”, aí aumentei o ritmo e fui em busca dos tão sonhados 7k. E foi assim que terminei. Rindo sozinha, feliz, com os joelhos doendo, mas com sensação de dever cumprido! E assim foi a minha saga até os 7k, e que venham os 10k, mas essa meta é pro ano que vem, vamos trabalhar pra se sentir confortável nos 7k agora! E se precisar de uma ajudinha pra começar qualquer atividade, que essa história possa te ajudar ou inspirar de alguma forma! 🙂

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